PortaBnu/Notícias/O que acontece nos bastidores de uma despedida?
O que acontece nos bastidores de uma despedida?
Do primeiro telefonema à cerimônia final, profissionais do Jardim da Saudade falam sobre a rotina pouco conhecida, marcada por acolhimento e cuidado
PortalBnu
17 de junho de 2026
12:00
Foto: Divulgação
Quando uma família chega ao Jardim da Saudade, em Blumenau, normalmente está vivendo um dos momentos mais delicados da vida. Em meio ao luto, existem decisões urgentes, documentos, cerimônias e uma série de processos que precisam acontecer em poucas horas.
O que muita gente não vê são os bastidores dessa estrutura. Enquanto familiares tentam lidar com a despedida, profissionais se dividem entre acolhimento emocional, organização logística, preparação de cerimônias e orientações sobre questões que, para a maioria das pessoas, são completamente desconhecidas até aquele momento.
Do primeiro telefonema ao velório, da preparação da cerimônia às dúvidas sobre cremação e jazigos, cada etapa exige sensibilidade, agilidade e atenção aos detalhes. Em entrevistas ao PortalBnu, profissionais do Jardim da Saudade contaram como funciona essa rotina e quais são os cuidados que fazem diferença justamente quando as famílias mais precisam de apoio.
O primeiro contato
Grande parte dos atendimentos começa por telefone, normalmente em situações de urgência. Segundo Daniel da Luz, responsável pela área de atendimento, muitas famílias entram em contato, por meio do 0800, sem saber exatamente quais passos devem seguir.
“Nossa equipe precisa conduzir o atendimento com empatia, sensibilidade e precisão na coleta das informações, evitando que a conversa pareça um interrogatório”, explica.
Nesse primeiro momento, a equipe busca entender onde aconteceu o óbito, se a documentação médica já foi emitida e quem é o familiar responsável pelas decisões. A partir disso, começam as orientações sobre os próximos procedimentos.
“Quanto mais informações conseguimos obter, mais assertivo e acolhedor se torna o atendimento”, acrescenta. O objetivo, além de explicar questões burocráticas, é transmitir segurança e fazer com que a família não se sinta sozinha.
Entre os cuidados que ajudam a reduzir a ansiedade dos familiares estão orientações antecipadas sobre documentos necessários, roupas para o velório e informações sobre cremação, sepultamento e assistência funerária.
Uma operação que funciona 24 horas
(Foto: Divulgação)
Depois do primeiro atendimento, entra em ação a estrutura operacional da funerária. O acionamento pode acontecer por hospitais, IML, central funerária ou diretamente pela família.
Segundo Valdevan dos Santos Ferreira, o trabalho envolve uma coordenação entre equipes para garantir rapidez sem perder o cuidado humanizado.
“A agilidade depende de uma operação organizada e preparada para atender a qualquer momento. Por isso, mantemos os veículos sempre limpos, revisados e abastecidos, além de materiais de preparação, ornamentações florais e todos os insumos necessários disponíveis e em boas condições de uso”, destaca.
Nos bastidores, existe toda uma preparação pouco conhecida pela maioria das pessoas. Desde a remoção e preparação do corpo até ornamentações, organização da cerimônia e suporte à família durante o velório.
“É um trabalho que exige responsabilidade, sensibilidade e muito respeito pela história e pela família daquela pessoa”, comenta.
Para ele, o desafio da profissão está justamente em equilibrar técnica e emoção. “É importante não absorver emocionalmente toda a dor daquele momento, para que possamos transmitir segurança e prestar um atendimento humanizado e profissional ao mesmo tempo”.
Pequenos detalhes que mudam a despedida
Na preparação dos velórios, o ambiente é organizado para oferecer conforto aos familiares durante horas que costumam ser emocionalmente exaustivas. Bruna Luiza Feliciano, responsável pela área de velórios, explica que cada detalhe é pensado para tornar o espaço mais acolhedor.
Além da ornamentação, iluminação e limpeza das capelas, existe um cuidado especial com o serviço de copa. “Quem passa por estes momentos difíceis não tem tempo de se alimentar de forma adequada. Quando a família encontra um serviço preparado com carinho, é uma forma de demonstrar cuidado”, afirma.
Outro aspecto que ganhou espaço nos últimos anos é a personalização das despedidas. “Muitas vezes, pequenos gestos fazem grande diferença, como ouvir com calma, orientar quando necessário e tratar cada pessoa com carinho e sensibilidade, incluir fotos do ente querido na cerimônia, perguntar a música que aquela pessoa gostava, ler um poema que tenha vínculo com a Memória da pessoa que partiu”, resume.
Ela também destaca que cada família possui crenças, tradições e formas diferentes de viver o luto. Por isso, o trabalho exige adaptação constante para respeitar os desejos de cada despedida.
Cremação cresce, mas ainda gera dúvidas
Entre os serviços que mais despertam questionamentos está a cremação. Segundo Ana Elise Cabral, muitas famílias ainda chegam ao atendimento sem conhecer detalhes básicos sobre o processo.
“A pergunta mais frequente é se a cremação acontece individualmente e se as cinzas entregues são realmente daquela pessoa”, conta.
Algumas famílias questionam o que pode ser feito com as cinzas, enquanto outras tentam entender como funciona o processo técnico da cremação e quais causas de morte permitem esse tipo de procedimento.
Segundo Ana, as dúvidas também giram em torno dos jazigos no cemitério, se de fato vai permanecer no mesmo local para sempre mesmo depois da exumação para sobrar espaço para os demais e o que acontece se a família não manter financeiramente o Jazigo.
“Importante que as pessoas entendam que é algo que precisa ser resolvido imediatamente quando acontece, e que terão que tomar decisões importantes em um momento de fragilidade emocional”, explica.
Falar sobre planejamento, segundo ela, não significa esperar o pior, mas evitar decisões precipitadas em um momento delicado.
Um trabalho que continua depois da despedida
( Foto: Divulgação)
Seja no primeiro atendimento, na preparação da cerimônia ou nas orientações sobre cremação e jazigos, o objetivo é fazer com que as famílias consigam atravessar esse momento com o máximo possível de amparo. É um trabalho silencioso, feito nos bastidores, mas que acaba se tornando parte importante da memória de despedida de muitas famílias.