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“Memórias afetivas”: mães e filhos compartilham a paixão pela dança dentro e fora dos palcos

Grupo formado por mães e mulheres de diferentes idades em Blumenau transforma aulas de dança em rede de apoio, autoestima e novas memórias

Para muitas mulheres, a maternidade muda prioridades, rotinas e até a relação com o próprio tempo. Entre o trabalho, os filhos, os diversos compromissos e a correria do dia a dia, os hobbies e os momentos de lazer costumam ficar em segundo plano. 

Em Blumenau, porém, um grupo de dança tem ajudado mães a retomarem atividades que ficaram pelo caminho e a reencontrarem um espaço de expressão, convivência e autoestima.

Foi assim com a mentora em gestão de pessoas Karen Adriana Escalada Doria, de 53 anos, que entrou para a turma Dance Moms, do Black Cat Dance Center (BCDC), há 13 anos por causa do filho, o bailarino e professor Guto Almada. A ideia inicial era simples: fazer uma surpresa para ele durante uma apresentação. Só que, com o tempo, o que começou como um desafio acabou virando parte da rotina e da vida dela.

“Eu quis fazer uma surpresa e acabei me surpreendendo”, resume Karen. Segundo ela, tudo aconteceu em segredo, com ensaios escondidos e uma verdadeira logística para que o filho só descobrisse no momento da apresentação. “Quando me viu no telão, ele entendeu e se emocionou muito”. Confira a reação e também a primeira apresentação:

Reação do filho, Guto Almada, e primeira apresentação de Karen no Dance Moms

Para ela, ver o brilho nos olhos dos filhos, tanto Guto quanto Gabo Almada, durante as apresentações de dança é uma grande emoção. “É uma sensação que todos os pais merecem experimentar. Eu vejo nos outros filhos também, a empolgação de ver as mães dançando”.

Hoje, além de seguir no grupo Dance Moms, Karen também é aluna do próprio filho. “Tem um dia na semana que sou aluna do Guto, chamo ele de ‘profe’ e tenho que me ‘comportar’ durante a aula. Esses momentos são memórias afetivas”, conta.

A professora e coreógrafa Bruna Hank acompanha essa trajetória desde o início do projeto. Ela assumiu o grupo ainda adolescente, aos 16 ou 17 anos, quando recebeu o convite para continuar as aulas que haviam começado com as mães de bailarinos do Armada Urbana. O desafio, segundo ela, era conduzir mulheres que tinham a idade da própria mãe, ou até mais.

Criado em 2013, o Dance Moms reúne hoje mulheres de diferentes perfis. Embora a maioria seja formada por mães, o espaço também acolhe madrinhas, tias, “mães de pet” e mulheres que simplesmente buscam um momento para si mesmas.

“É um ambiente livre de julgamentos, pressão ou padrões. Estamos ali pelo prazer de estar”, afirma Bruna. “Elas se apoiam e se desafiam a cada nova coreografia.”

A própria professora também passou a enxergar a dança de outra forma depois da maternidade. Mãe do pequeno Matteo, Bruna conta que voltar para a sala de aula ajudou no processo de reconexão consigo mesma depois do nascimento do filho.

Para ela, a maternidade mudou a própria visão de mundo. “Antes, eu era muito focada no trabalho, talvez até um pouco egoísta com o meu tempo. Com o Matteo, entendi que ele é a minha prioridade número um. Mas, curiosamente, a dança foi o que me ajudou a não enlouquecer. Voltar para a sala de aula me ajudou a me reconectar com a “Bruna” que existia antes, recuperando minha sanidade mental e minha energia”.

Foto: Redes Sociais / Reprodução

A dança está na vida dela desde que era muito nova, passando por estilos como ballet clássico e danças urbanas. “Quando conheci as danças urbanas, foi amor à primeira vista; eu me dedicava intensamente e logo surgiram oportunidades para participar de grupo de competição e substituir a Bú (Bruna Oechsler, proprietária do Black Cat Dance Center, diretora da Out Escola de Dança,  professora e coreógrafa) em turmas quando ela precisava. […] Não imaginava que chegaria onde estou hoje, mas tenho certeza de que grande parte de tudo que conquistei foi por conta da dança”, lembra.

Depois que se tornou mãe, Bruna conta que a rotina se tornou desafiadora. “O corpo muda, o cansaço é constante e a cabeça fica cheia de preocupações com uma vida que depende totalmente de você. Tive a sorte de contar com um parceiro incrível e uma rede de apoio incrível, tanto da minha família, quanto dos meus colegas e alunos, que foram super compreensivos e me deram o suporte necessário para eu “dar tempo ao tempo”, conta.

Mesmo com as mudanças trazidas pela maternidade, Bruna diz que a dança continuou ocupando um papel importante na vida dela. “Hoje, meu filho é o centro da minha vida, mas a dança continua sendo meu refúgio e o lugar onde, por algumas horas, eu posso viver plenamente a minha profissão e a minha essência”.

Esse sentimento, também acompanha muitas mulheres que passam pelo grupo, que já se tornou uma comunidade. “Vejo uma comunidade de mulheres extremamente fortes que prezam pelo tempo de qualidade e pelo autoconhecimento. É um momento de lazer onde elas podem soltar o corpo e sentir a música, provando que a dança não tem idade, corpo ideal ou restrições; basta querer”, destaca Bruna.

Quando os hobbies fazem parte da rotina

Para Karen, a dança também representa uma forma de sair do “automático” da rotina e voltar a olhar para si mesma. “De certa forma, toda forma de expressão e toda forma de arte faz parte de todo mundo. Acontece que, às vezes, ficamos no automático e não nos damos conta dos vários talentos. A dança é isso: expressão, transformação, a melhor terapia”, afirma.

Segundo ela, as aulas se tornaram um espaço de convivência e apoio entre as mulheres do grupo. “O BCDC e a OUT são nosso outro CEP. É lá que dançamos, nos divertimos, conversamos, compartilhamos e nos apoiamos. E, em dias de apresentação, juntas enfrentamos o frio na barriga”.

Para ela, não existe idade certa para começar: “se permitam. Sempre é a hora certa para fazer algo por nós. E vai valer a pena”.

A mensagem também é reforçada por Bruna, que incentiva outras mães a experimentarem algo novo, mesmo depois da maternidade. “Não existe nada melhor do que fazer algo por nós mesmas, algo que eleva nossa autoestima e acolhe a nossa criança interior. Você merece esse respiro”, completa.

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