A demora no atendimento de crianças e adolescentes em especialidades de saúde levou o Conselho Tutelar de Blumenau a acionar a Câmara de Vereadores, o Ministério Público e a Defensoria Pública. O pedido é para que os órgãos ajudem a cobrar medidas capazes de reduzir as filas de espera no município.
A reportagem do Portal BNU teve acesso exclusivo ao documento enviado à Câmara de Vereadores com dados sobre a fila de espera. O levantamento, extraído do Sistema Nacional de Regulação em 4 de maio de 2026, aponta 11.100 procedimentos pendentes nas áreas acompanhadas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o CMDCA.
A maior fila aparece em neurologia pediátrica, com 5.141 crianças e adolescentes aguardando consulta. Desse total, 3.728 são crianças e 1.413 são adolescentes.
Também há números altos em psicologia geral, com 2.102 pacientes na fila, e em fonoaudiologia, com 2.054 solicitações pendentes. Outra demanda expressiva é a triagem para centro especializado de reabilitação mental de média e alta complexidade, com 1.549 crianças e adolescentes aguardando. O documento também mostra 151 pedidos de atendimento ou acompanhamento em reabilitação nas múltiplas deficiências e 102 solicitações em diferentes áreas da ortopedia.
No levantamento geral de procedimentos em saúde, que reúne mais especialidades, exames e atendimentos, a fila é ainda maior: são 20.413 solicitações pendentes para crianças e adolescentes. O relatório considera como criança pacientes de até 11 anos e como adolescente pessoas de até 18 anos.
Entre os números gerais, também aparecem filas em otorrinolaringologia, com 2.121 pedidos; exames e procedimentos ligados à otorrino e fonoaudiologia, com 1.474; exames de ultrassonografia, com 1.289; endocrinologia pediátrica, com 832; e cardiologia pediátrica, com 583.
Um esforço coletivo
No documento enviado aos vereadores, o Conselho Tutelar pede apoio institucional para a adoção de medidas que contribuam para a redução das filas e para a garantia do atendimento integral e prioritário às crianças e adolescentes.
O material foi encaminhado pela presidente do Colegiado Ampliado do Conselho Tutelar de Blumenau, Fernanda Tribess, após deliberação dos conselheiros em reunião realizada no dia 17 de junho. Ao todo, 15 conselheiros participam do movimento. Segundo Fernanda, o Conselho Tutelar começou a identificar o problema nos relatórios trimestrais do ano passado, quando surgiram registros de demora em atendimentos pediátricos de algumas especialidades. A situação passou a ser debatida em encontros regionais de conselheiros tutelares, com o objetivo de buscar estratégias e melhorias em conjunto.
A presidente do colegiado afirma que a iniciativa não busca apenas apontar o problema. Segundo ela, Câmara, Ministério Público e Defensoria Pública foram chamados para “somarem a luta conosco de cobrar, debater e pensar como melhorar a política de saúde pública no município para crianças e adolescentes”. A preocupação, de acordo com Fernanda, é que a espera prolongada por atendimento possa agravar situações que exigem acompanhamento contínuo. Fernanda cita como exemplo crianças que aguardam atendimento psicológico.
“Uma criança que precisa de acompanhamento em psicologia, por exemplo, se demora um ano, dois ou três anos para ser chamada, esses problemas se agravarão”, disse.
Segundo Fernanda, a fila não afeta apenas o paciente que aguarda uma consulta ou tratamento. O impacto chega para toda a família, que acompanha a demora sem previsão clara de atendimento. “A gente vê de perto a angústia de uma família que precisa do atendimento para sua criança”, afirmou a presidente do colegiado.
O tema deve ser discutido novamente nesta quinta-feira, dia 25, durante reunião do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Blumenau. O encontro está marcado para acontecer das 8h30 às 11h30, no auditório da Semudes.
A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada para comentar a denúncia. De acordo com o setor de comunicação, o posicionamento será divulgado através de nota à imprensa.
*Com colaboração da jornalista Morgana Kloth*