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MPSC denuncia 14 suspeitos por organização criminosa neonazista em SC, SP e PR

Segundo o MP, a organização seria voltada à disseminação de ideologia neonazista e à promoção de intolerância racial, política, religiosa e sexual.

O Ministério Público de Santa Catarina denunciou à Justiça 14 suspeitos de integrar uma organização criminosa neonazista com atuação em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A denúncia foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça de Florianópolis na segunda-feira, dia 15, mas ainda não havia sido recebida pela Justiça.

Caso a denúncia seja aceita, os acusados passam a responder como réus em ação penal. Todos foram denunciados por participação em organização criminosa. Oito deles também foram denunciados por racismo e apologia ao nazismo.

Entre os denunciados estão o apontado chefe do grupo, identificado pelos próprios integrantes como o “Führer brasileiro”, o braço direito dele, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo, um policial militar paulista, um advogado e outras nove pessoas consideradas de menor expressão dentro da organização. Segundo o MPSC, os agentes públicos teriam prestado apoio dentro das próprias corporações, enquanto o advogado atuaria também com suporte jurídico ao grupo.

A investigação foi conduzida pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, com atribuição para apurar crimes envolvendo organizações criminosas, e pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital, que atua em casos de racismo e intolerância. O trabalho contou com apoio do GAECO, por meio do CyberGAECO, dentro da Operação Nuremberg.

De acordo com o Ministério Público, o grupo tinha atuação coordenada, estabilidade ao longo do tempo, chefia definida e regras internas. A organização seria voltada à disseminação de ideologia neonazista e à promoção de intolerância racial, política, religiosa e sexual.

Modo de operação

As apurações apontam que parte dos investigados produzia e divulgava conteúdos de ódio em ambientes virtuais, usando perfis falsos e fóruns na internet para propagar ideias supremacistas. O MPSC também afirma haver indícios de participação dos acusados em atos de violência física.

Segundo a investigação, os integrantes se autodenominavam neonazistas e adotavam símbolos ligados à ideologia extremista. O grupo também teria fichas de ingresso, camisetas exclusivas e cobrança de mensalidades obrigatórias de membros oficialmente “batizados”. O dinheiro arrecadado seria usado para despesas internas, compra de materiais de propaganda e manutenção das atividades.

O Ministério Público afirma ainda que a organização realizava encontros presenciais regulares para discutir a disseminação da ideologia neonazista e o recrutamento de novos integrantes. Nesses encontros, também seriam planejadas ações chamadas pelos investigados de “rolês”, usadas para deslocamentos em grupo, patrulhamento de vias públicas, perseguição e confronto com pessoas ou grupos considerados adversários ideológicos.

A investigação também identificou a preparação de dossiês contra possíveis alvos de agressões ou retaliações. Além disso, o grupo teria orientado seus integrantes sobre medidas de segurança digital e operacional para dificultar a identificação dos membros e o acesso das autoridades aos registros das atividades.

Operação Nuremberg

A Operação Nuremberg foi deflagrada em 31 de outubro de 2025 pelo GAECO do MPSC, por meio do CyberGAECO. Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.

As ordens judiciais foram cumpridas em São Paulo, Campinas, Taboão da Serra e Osasco, em São Paulo; São José dos Pinhais, Curitiba e Araucária, no Paraná; Cocal do Sul e Jaraguá do Sul, em Santa Catarina; e Aracaju, em Sergipe.

Durante as buscas, foram apreendidos materiais de apologia ao nazismo, além de armas brancas, faca e soco inglês.

O nome da operação faz referência aos julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial, considerados um marco na responsabilização por crimes de ódio, extremismo e intolerância.

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