PortaBnu/Notícias/Terceirização do Samu: o que preocupa quem atende emergências em Blumenau
Terceirização do Samu: o que preocupa quem atende emergências em Blumenau
Técnicos com décadas de experiência dizem não ter sido ouvidos e temem perda de qualidade no serviço prestado à população
PortalBnu
10 de fevereiro de 2026
16:00
A possível terceirização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) municipal de Blumenau segue gerando debate e preocupação entre os profissionais que atuam diretamente no atendimento à população. Em entrevista ao Jornal da 106, parceiro do PortalBnu, servidores revelaram pontos críticos do estudo apresentado pela Secretaria de Saúde e alertaram para os riscos que, segundo eles, vão além da gestão administrativa.
Blumenau conta atualmente com dois modelos de Samu em operação: o serviço estadual, responsável pelo suporte avançado, com médico a bordo, e o Samu municipal, que faz o suporte básico, composto por técnico de enfermagem e motorista. Este último pode ser terceirizado.
Durante visita à base do Samu na região Norte, Edmilson Luiz conversou com profissionais que vivem o dia a dia do atendimento de urgência. Um deles é Cristiano, técnico de enfermagem com 18 anos de experiência na área, sendo 12 dedicados ao Samu de Blumenau. Ele fez um contraponto às declarações do secretário municipal de Saúde e destacou que a principal preocupação da categoria não é a situação funcional dos servidores, mas sim a qualidade do serviço prestado à comunidade.
Segundo os trabalhadores, a decisão de terceirizar foi apresentada já pronta no dia 29 de janeiro de 2026, sem que houvesse consulta ou participação dos servidores ou do sindicato no processo de elaboração do estudo. A falta de diálogo, inclusive, contraria um acordo firmado em 2025, depois do debate na Comissão de Educação e Saúde Pública da Câmara de Vereadores, que previa envolvimento direto dos profissionais nas discussões.
Entre os pontos mais sensíveis levantados está a alta rotatividade comum em contratos terceirizados, o que, na avaliação dos técnicos, pode comprometer a agilidade, o conhecimento do território e a tomada de decisões em situações críticas.