Os valores bloqueados pela Justiça a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nas três operações deflagradas em maio pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) chegaram a R$ 54,3 milhões. A atualização foi divulgada nesta quinta-feira, dia 21, e envolve investigações sobre supostos esquemas de fraude em licitações e contratos públicos em Blumenau e região.
Conforme o levantamento, o valor mais alto está relacionado à Operação Ponto Final, com R$ 50 milhões em bens bloqueados. A Operação Arbóreo soma R$ 3,6 milhões e a Operação Sentinela, R$ 779 mil.
As três investigações são conduzidas pelo GAECO em apoio à 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau.
Segundo o promotor de Justiça Marcionei Mendes, responsável pelos procedimentos, o bloqueio de bens busca garantir a devolução dos valores aos cofres públicos e impedir ocultação de bens por parte dos investigados, durante o andamento das apurações. Já o coordenador estadual do GAECO, Wilson Paulo de Mendonça Neto, afirmou que a recuperação de valores desviados é uma das prioridades institucionais do Ministério Público. As investigações continuam.
Relembre as três operações do GAECO
Operação Ponto Final
Deflagrada em 6 de maio, investiga um suposto esquema de direcionamento de licitações e superfaturamento de obras públicas em Blumenau e municípios da região. Conforme o MPSC, empresários e servidores públicos teriam atuado de forma estruturada desde 2020.
Ao todo, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão e aplicadas medidas cautelares contra 11 investigados.
Operação Arbóreo
A ação apura suspeitas de fraude em licitação para fornecimento de merenda à rede pública de ensino. Segundo o GAECO, haveria favorecimento à empresa vencedora por meio de acesso antecipado a informações sigilosas e manobras jurídicas.
Mandados foram cumpridos em Blumenau, Indaial e Araucária, no Paraná. O Ministério Público estima que o suposto esquema tenha movimentado mais de R$ 3,6 milhões em propinas entre 2022 e 2024.
Operação Sentinela
A investigação mira contratos ligados às áreas de segurança patrimonial, limpeza urbana e serviços especializados entre 2021 e 2024.
Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em Blumenau, Florianópolis e Itajaí. Um dos contratos analisados envolvia segurança em unidades de ensino após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em 2023.