A nova ameaça de greve dos caminhoneiros em 2026 reacendeu o alerta sobre abastecimento, inflação e impacto na logística em todo o país. O movimento ganhou força nos últimos dias diante da alta do diesel e da insatisfação de motoristas autônomos com o descumprimento do piso mínimo do frete, tema que voltou ao centro das negociações entre a categoria e o governo federal.
Nesta quarta-feira, dia 18, o governo anunciou um pacote para tentar frear a paralisação. Entre as medidas estão a ampliação da fiscalização eletrônica sobre o cumprimento da tabela do frete e punições mais severas para empresas reincidentes no descumprimento da regra. Segundo o Executivo, a intenção é proteger a renda dos caminhoneiros e reduzir distorções no setor.
Os números oficiais ajudam a explicar a tensão. A ANTT informou que cerca de 20% das operações de transporte ainda ocorrem em desacordo com o piso mínimo do frete. O órgão também afirma que, em janeiro de 2026, foram registradas cerca de 40 mil autuações, e que, nos últimos quatro meses, as multas ultrapassaram R$ 419 milhões.
Ao mesmo tempo, a nova crise no Oriente Médio fez o diesel disparar. Dados oficiais mostram que o preço médio nacional do diesel chegou a R$ 6,89 por litro na semana de 8 a 14 de março. No levantamento da ANP, o valor médio de revenda subiu de R$ 6,15 para os R$ 6,89 em apenas uma semana, alta de 12,03%.
Em Santa Catarina, o tema já provoca apreensão no setor de transporte e logística. Representantes do segmento alertam para risco de prejuízos no abastecimento, na produção e no custo de vida caso a mobilização avance. Há também relatos de preocupação em pontos estratégicos de circulação de carga no estado, especialmente em regiões com forte dependência do transporte rodoviário.
Até a manhã desta quinta-feira, 19 de março, o cenário seguia indefinido em nível nacional: lideranças mantinham o indicativo de paralisação, mas aguardavam a formalização e os efeitos práticos das medidas anunciadas pelo governo. Em outras palavras, a crise ainda não havia sido totalmente desarmada.
Para cidades como Blumenau, que dependem diretamente das rodovias para entrada de combustíveis, alimentos, insumos industriais e mercadorias do comércio, qualquer paralisação mais ampla pode gerar reflexos quase imediatos. Mesmo sem bloqueios totais, uma redução relevante na circulação de cargas já seria suficiente para pressionar preços e atrasar entregas. Essa é a principal preocupação no momento: não apenas se haverá greve, mas qual será o tamanho real da adesão.
Fontes ligadas aos sindicatos das categorias relataram que a paralisação, se ocorrer, terá início ao meio-dia desta quinta-feira.
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