Uma confusão registrada durante a partida entre Metropolitano e Hercílio Luz, no último domingo, dia 21, em Tubarão, terminou em denúncia de agressão contra uma torcedora, registro de boletim de ocorrência e ao menos três pessoas feridas, segundo informações da diretoria da torcida organizada Raça Jovem Metropolitano.
A agressão teria acontecido nos primeiros 15 minutos de jogo, na arquibancada visitante do estádio Aníbal Torres Costa, entre torcedores do Metropolitano. A representante do Comando Feminino da torcida organizada do Metrô, Caroline Sant Anna, afirma que tudo começou após ofensas do agressor direcionadas ao marido da vítima. De acordo com Caroline, a mulher teria pedido para que o homem parasse com as ofensas, momento em que ele teria atingido a mulher com três socos, sendo dois na cabeça e um no rosto.
Na sequência, segundo Caroline, torcedores da organizada tentaram intervir para conter a agressão. “Era uma mulher apanhando de um homem o dobro do tamanho dela”, diz. “Tivemos que ouvir frases do tipo ‘apanhou foi pouco’ e ‘mulher não tem que estar no estádio, tem que estar esquentando a barriga no fogão’”, complementa.
De acordo com os relatos, a situação teria escalado para uma briga maior, a Polícia Militar interviu e outros torcedores ficaram feridos, incluindo um homem com fratura no braço e um torcedor com um corte na cabeça.
Expulsa do estádio
A versão apresentada pela organizada aponta ainda que, após a chegada da Polícia Militar, a vítima teria sido retirada do estádio enquanto o suposto agressor permaneceu no local. Ainda segundo os relatos, a vítima registrou boletim de ocorrência em Tubarão.
A reportagem do Portal Bnu entrou em contato com a Polícia Militar de Tubarão, mas até o momento não recebeu posicionamento detalhado sobre a ocorrência.
Nota de repúdio
Através de uma nota publicada em suas redes sociais, a direção da torcida organizada afirma que o episódio “ultrapassa o âmbito esportivo e se insere em um contexto mais amplo de violência contra a mulher em espaços públicos”, destacando que situações desse tipo não podem resultar em tratamento desigual dentro dos estádios.
O episódio também teve desdobramentos internos no clube. A organizada relata que houve reunião com membros da diretoria do clube Metropolitano e, ainda hoje, haverá um encontro entre os associados da organizada para discussão do caso. Após pressão dos torcedores, o clube divulgou nota lamentando os episódios de violência na arquibancada, repudiou as agressões e anunciou a criação de um “Manifesto pela Paz nos Estádios”, a ser lançado em breve.
Protesto contra a violência
Para o próximo compromisso em casa, quando o Metropolitano recebe o Caravaggio pela 13ª rodada do Campeonato Catarinense da Série B no dia 5 de julho, a torcida organizada promete um protesto em frente ao estádio do Sesi em apoio à torcedora envolvida na ocorrência. “Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na arquibancada, com segurança, liberdade, respeito e dignidade”, finaliza a nota da torcida organizada.