Dois réus denunciados pela morte da adolescente Ana Beatriz Schelter foram absolvidos pelo Tribunal do Júri em julgamento realizado nessa quinta-feira, dia 25, em Florianópolis. Os homens respondiam por crimes como homicídio qualificado, estupro de vulnerável e fraude processual no caso que chocou o Vale do Itajaí em 2016. Após a decisão, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que irá recorrer da absolvição por entender que as provas reunidas durante a investigação sustentam a participação dos acusados nos crimes.
De acordo com o promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen, que atuou no júri, um dos homens, de 63 anos, teria participado diretamente das violências que resultaram na morte da vítima, incluindo o crime de estupro de vulnerável. Já o outro acusado, de 55 anos, teria interferido na investigação ao alterar elementos que poderiam servir como prova.
“Respeitamos a decisão do júri, mas entendemos que há elementos suficientes para sua revisão e, por isso, vamos recorrer”, afirmou o promotor.
O julgamento ocorreu em Florianópolis após o Tribunal de Justiça de Santa Catarina aceitar um pedido da defesa para transferir o júri de Rio do Sul, cidade onde o crime ocorreu. A mudança, conhecida como desaforamento, foi autorizada em fevereiro deste ano sob o entendimento de que a ampla repercussão do caso poderia influenciar os jurados na comarca de origem.
O processo também foi desmembrado por decisão judicial. O principal acusado já havia sido julgado em maio deste ano e condenado pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual. A pena foi fixada em 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.
Relembre o caso
Ana Beatriz Schelter tinha 12 anos quando desapareceu, no dia 2 de março de 2016, em Rio do Sul. A adolescente saiu de casa por volta das 13h para ir à escola, onde cursava o sétimo ano, mas nunca chegou ao destino.
O desaparecimento foi registrado pelo pai ainda naquela noite. Na manhã seguinte, o corpo da menina foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR-470. Inicialmente, a cena foi montada para simular um suicídio por enforcamento, hipótese descartada pela perícia. O laudo confirmou que a adolescente foi vítima de violência sexual e morreu por asfixia.
Segundo o Ministério Público, as investigações conduzidas no âmbito da Operação Fênix, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) de Blumenau, apontaram que o principal condenado era conhecido da família, acompanhava a rotina da vítima e se aproveitou dessa proximidade para cometer o crime.
A apuração também indicou que, no dia do assassinato, ele e outro denunciado (que condenado na quinta-feira, dia 25) ofereceram carona à adolescente durante o trajeto até a escola e a levaram para um local não identificado, onde os crimes teriam sido praticados. O MPSC também sustenta que os dois apresentavam comportamento relacionado à exploração sexual de crianças e adolescentes, reforçando a ligação entre os envolvidos.