Evitar gatilhos, respeitar os próprios limites e criar formas pessoais de lembrar podem ajudar quem enfrenta o luto.
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Evitar gatilhos, respeitar os próprios limites e criar formas pessoais de lembrar podem ajudar quem enfrenta o luto.

Para quem perdeu o próprio pai, o Dia dos Pais costuma intensificar a saudade. Propagandas, homenagens e publicações nas redes sociais trazem lembranças à tona, mesmo anos após a morte. Segundo a psicóloga especialista em luto Simone de Borba Mantuani, não existe uma forma correta de passar pela data. O mais importante é respeitar os próprios limites.
“Se for possível e necessário, evite. Seja estar em família ou estar sozinho, praticar algum ritual significativo ou estar em silêncio, viva este dia da forma que faça mais sentido para você”, orienta. Isso também vale para as redes sociais. Se as homenagens e campanhas relacionadas ao Dia dos Pais estiverem causando sofrimento, afastar-se delas por algumas horas ou durante o dia pode ser uma alternativa.
Para algumas pessoas, lembrar do pai de forma intencional torna a data mais suportável. Rever fotografias, assistir a vídeos, contar histórias ou preparar uma comida que ele gostava são algumas possibilidades. “Os rituais são formas de honrar a memória da pessoa que morreu”, explica Simone. A psicóloga ressalta, porém, que o luto é individual. O que conforta uma pessoa pode não funcionar para outra, e não há obrigação de transformar o dia em uma homenagem.
Para quem perdeu o pai e hoje também é pai, sentimentos diferentes podem aparecer ao mesmo tempo. É possível comemorar com os filhos e sentir a ausência do próprio pai. Nesse caso, Simone sugere conciliar as duas experiências: preservar as lembranças de quem morreu enquanto se constroem novas memórias com quem está presente.
Familiares e amigos também podem ajudar, principalmente evitando minimizar o sofrimento. Frases como “você precisa ser forte”, “eu sei o que você está sentindo” ou “foi melhor assim” podem produzir o efeito contrário ao pretendido. Para a psicóloga, acolher significa estar disponível e deixar que a própria pessoa indique aquilo de que precisa. Sentir tristeza e saudade nesta época é esperado. A atenção deve aumentar quando o sofrimento passa a impedir atividades do cotidiano ou compromete o autocuidado. Nesses casos, a orientação é procurar acompanhamento profissional.
Para a psicóloga, uma boa rede de apoio também é importante durante o processo. “No luto precisamos de pessoas, de conexão.”
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