Um dos maiores escândalos da história política de Blumenau reúne empresários, ex-secretários e servidores públicos
Um dos maiores escândalos da história política de Blumenau reúne empresários, ex-secretários e servidores públicos

Blumenau foi alvo, nos dias 6 e 7 de maio, de uma sequência de operações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) que investigam suspeitas de fraude em licitações, corrupção, superfaturamento e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos da Prefeitura de Blumenau. As investigações atingem áreas como obras públicas, segurança patrimonial, terceirização de serviços e merenda escolar. Entenda cada uma delas:

Operação “Ponto Final”
A primeira operação foi a “Ponto Final”, em 6 de maio. A investigação apura um suposto esquema envolvendo empresários da construção civil, servidores públicos, engenheiros e fiscais ligados a contratos de obras públicas executados entre 2020 e 2024. O foco principal são obras de infraestrutura urbana, incluindo contratos relacionados aos terminais urbanos Oeste e Norte de Blumenau.
De acordo com o GAECO, havia suspeitas de combinação prévia de vencedores de licitações, divisão de contratos entre empresas, fraude em medições técnicas e superfaturamento de obras. Durante a operação, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em 16 cidades catarinenses e apreendidos cerca de R$ 500 mil em dinheiro, além de celulares, computadores e documentos.
Após a operação, Michael Maiochi, ex-secretário de Obras de Blumenau e então secretário de Planejamento Territorial de Gaspar, foi exonerado pela Prefeitura de Gaspar. Segundo as investigações, ele foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica por decisão judicial.
O ex-secretário Maiochi mantinha um padrão de compras considerado incomum pelo Ministério Público. Segundo informações de documentos oficiais do MP, divulgadas pela NSC, os investigadores identificaram compra de casa, reforma completa do imóvel, armas, eletrodomésticos e trocas frequentes de veículos durante o período monitorado, o que não faria sentido devido aos seus rendimentos como secretário. Ele teria comprado uma casa em 2022 por R$ 438 mil. Parte do valor, cerca de R$ 87 mil, teria sido paga em dinheiro vivo. A reforma do imóvel também chamou atenção e teria custado aproximadamente R$ 150 mil.

A operação também ganhou mais repercussão após a divulgação de detalhes dos bastidores da investigação e trechos de conversas interceptadas pelo GAECO. Segundo as publicações, investigados tratavam de divisão de contratos, alinhamento de propostas e pagamentos ligados às obras públicas em aplicativos de mensagens. Michael Maiochi era chamado de “o dono de Blumenau” nas conversas do grupo, em referência à influência que teria sobre contratos e decisões relacionadas às obras públicas da cidade.
Operação Sentinela
No dia seguinte, 7 de maio, o GAECO deflagrou a Operação “Sentinela”. A investigação mira contratos de segurança patrimonial, limpeza urbana e terceirização de serviços realizados entre 2021 e 2024. Segundo o Ministério Público, empresas investigadas teriam participado de licitações direcionadas e devolvido parte dos valores recebidos em contratos públicos. A investigação afirma que servidores públicos são suspeitos de repassar informações privilegiadas a empresários em troca de propina, sendo 5% sobre contratos que somaram cerca de R$ 53 milhões.
Parte da investigação envolve um contrato emergencial de vigilância armada e desarmada para escolas municipais após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023. O GAECO afirma que informações sigilosas teriam sido compartilhadas para favorecer empresas em contratos milionários de segurança escolar.

Operação Arbóreo
Também em 7 de maio foi realizada a Operação “Arbóreo”, voltada à investigação de supostas fraudes no contrato da merenda escolar da rede municipal de Blumenau. Segundo o MPSC, a investigação aponta favorecimento de empresa, fraude em licitação e pagamento de propina a agentes públicos. A investigação apura contratos firmados entre 2022 e 2025 que somam mais de R$ 500 milhões.
De acordo com o Ministério Público, agentes públicos teriam atuado para que a licitação fosse realizada em lote único, dificultando a concorrência. A investigação aponta ainda que a empresa Risotolândia teria pago R$ 3,6 milhões em propina do esquema.
Após a operação “Arbóreo”, César Domenico Poltronieri foi exonerado pela Prefeitura de Indaial por aparecer entre os investigados do caso. Cesar Botelho, ex-chefe de gabinete da prefeitura de Blumenau e André Ezpezim, ex-presidente do SAMAE e ex-secretário de Comunicação, recentemente adjunto da Defesa Civil do Estado também são investigados.

As operações tiveram forte impacto político e administrativo na região. Além das exonerações em Blumenau, Gaspar e Indaial, a Justiça autorizou o bloqueio de bens e contas bancárias de investigados ligados aos três casos. Segundo informações do MP, os bloqueios ultrapassam R$ 120 milhões.
As investigações continuam e o Portal Bnu acompanha o caso.
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