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El Niño em Blumenau: o que realmente esperar nos próximos meses
Fenômeno deve aumentar a frequência de chuvas na região, mas meteorologista alerta que é impossível prever enchentes com meses de antecedência
PortalBnu
30 de abril de 2026
12:00
Anomalia média da temperatura da superfície do mar (TSM) em abril de 2026. Fonte: ECMWF/ERA5 - Foto: Defesa Civil
O aumento das discussões sobre o fenômeno El Niño tem gerado dúvidas e preocupação entre moradores da região Sul do Brasil, especialmente em BlumeBnau. Nas redes sociais, circulam previsões que apontam até mesmo para a repetição de grandes enchentes históricas. Mas, afinal, o que realmente pode ser esperado?
Segundo o meteorologista da Defesa Civil de Blumenau, Gabriel Cassol, é preciso cautela diante das informações que vêm sendo compartilhadas. “O El Niño é um fenômeno que recorrentemente acontece na região Sul do Brasil. Mas nem todos causam enchentes grandes aqui na nossa região, como tem sido veiculado nos últimos dias”, explica.
O especialista reforça que o fenômeno, por si só, não é suficiente para causar desastres naturais. “O El Niño favorece uma maior frequência de chuva, mas ele precisa atuar junto com outros fatores atmosféricos para gerar eventos extremos. Não é apenas o El Niño que causa uma enchente”, afirma.
De acordo com os dados mais recentes de monitoramento climático, o fenômeno deve se configurar ao longo do inverno de 2026, com impactos mais perceptíveis entre o fim da estação e a primavera.
Apesar disso, ele reforça que não é possível prever desastres com tanta antecedência. “É impossível prever uma enchente com meses de antecedência. Esse tipo de evento só pode ser identificado com dias ou poucas semanas”, alerta.
Além disso, Cassol lembra que a região hoje conta com estruturas de contenção que não existiam em décadas passadas. “Na época de 1983 não havia barragens como temos hoje. A realidade é diferente, o que ajuda a minimizar impactos”, afirma.
A orientação da Defesa Civil é que a população acompanhe apenas canais oficiais e evite compartilhar informações não verificadas. “Quando vemos previsões muito antecipadas, é importante desconfiar”, ressalta.