A Prefeitura de Blumenau anunciou na segunda-feira, dia 8, que pretende substituir o atual modelo de vigilância armada das escolas municipais por um sistema baseado em tecnologia, monitoramento inteligente e controle de acesso. A proposta foi apresentada durante uma coletiva de imprensa e provocou reação imediata de pais e familiares de vítimas do ataque à creche Cantinho Bom Pastor.
Segundo a administração municipal, o novo modelo terá como referência a estrutura de segurança utilizada durante a Oktoberfest, que conta com monitoramento integrado e reconhecimento facial. A meta é implantar câmeras e catracas inteligentes em toda a rede municipal até o início do ano letivo de 2027.
Enquanto o projeto tecnológico é desenvolvido, as unidades escolares passarão a contar com “porteiros qualificados” contratados de forma emergencial por um período inicial de seis meses. Após esse prazo, a Prefeitura pretende reavaliar o modelo e não descarta uma futura contratação de vigilância armada.
O prefeito Egídio Ferrari afirmou que a mudança não comprometerá a segurança das escolas e dos Centros de Educação Infantil (CEIs).
Câmara e Prefeitura caminham na mesma direção
O anúncio ocorre em meio ao avanço de propostas semelhantes no Legislativo. Recentemente, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto autorizando a utilização de reconhecimento facial para controle de acesso nas escolas municipais. A medida reforça o alinhamento entre Executivo e Legislativo na busca por soluções tecnológicas voltadas à segurança escolar.
Mudança gera reação
A notícia, no entanto, foi recebida com preocupação por parte de algumas famílias.
Jennifer Pabst, mãe de Bernardo, uma das quatro crianças mortas no ataque à creche Cantinho Bom Pastor em abril de 2023, classificou a decisão como um retrocesso. “Foi uma verdadeira apunhalada pelas costas e na alma. Desde 2023 lutamos por mais segurança nas escolas e agora a solução apresentada é retirar os vigilantes armados e colocar porteiros?”, questionou.
Para Jennifer, a tecnologia pode contribuir para a segurança, mas não substitui a presença de profissionais preparados para agir em situações de risco. “Porteiro abre e fecha a porta. Como ele vai proteger nossas crianças em uma situação de ameaça?”, afirmou.
Após o anúncio da Prefeitura, ela passou a mobilizar pais e educadores para uma manifestação pacífica marcada para o próximo sábado, dia 13, às 9h, em frente à sede da Prefeitura. “Agora, pais, é com vocês! Quanto vale a vida do seu filho? Vamos permitir que essa conta, após o escândalo, sejamos nós os pagantes? É hora de ir pra rua, pais, educadores e sociedade, precisamos exigir que um novo contrato entre em licitação garantindo o serviço de vigilância armada”, finalizou.
Histórico recente preocupa famílias
A discussão ocorre em um contexto de forte preocupação com a segurança das escolas em Blumenau.
Em abril de 2023, o ataque à creche Cantinho Bom Pastor deixou quatro crianças mortas e cinco feridas, provocando mudanças imediatas nos protocolos de proteção das unidades de ensino e a contratação emergencial de vigilância armada.
Mais recentemente, em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Salvaguarda após identificar adolescentes de Blumenau e Videira suspeitos de planejar ataques contra escolas. A investigação também apontou ligações com grupos que compartilhavam conteúdos extremistas e instruções para fabricação de explosivos.
A polêmica sobre a segurança nas escolas de Blumenau renderá novos capítulos, e o Portal Bnu segue com a cobertura do caso.