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Mais vozes, mais histórias: mulheres que conquistam espaço na música em Blumenau

Conheça cantoras da região que transformaram a paixão pela música em carreira e ajudam a mostrar a força das mulheres na cena musical local

A música entrou na vida de muitas artistas de forma simples: às vezes em uma igreja, em uma brincadeira em frente ao rádio ou nas primeiras aulas de violão. O que começa como uma simples curiosidade ou um passatempo pode ganhar outro peso, o de virar a profissão.

Em Blumenau, histórias assim se repetem em diferentes estilos. Mesmo em gêneros que ainda hoje costumam ser associados, em sua maioria, a artistas masculinos, mulheres da região vêm ocupando cada vez mais espaço, compondo, cantando, fazendo parte de bandas e dando vida aos próprios projetos.

Por isso, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o PortalBnu separou algumas histórias de artistas de Blumenau que mostram como a música pode ser um caminho de autonomia, expressão e construção de identidade. São apenas alguns exemplos entre muitas vozes femininas que fazem parte da cena musical da cidade e que seguem abrindo espaço para que outras histórias também possam ser ouvidas.

Do gospel ao sertanejo: a trajetória de Débora Amorim

A cantora sertaneja Débora Amorim, que conta com diversas músicas autorais lançadas e divulgadas em toda a região, assim como na Rádio 106parceira do PortalBnucresceu em um ambiente musical bastante diferente daquele que hoje define sua carreira. Filha de pastores, ela teve as primeiras experiências com música dentro da igreja evangélica.

Segundo ela, a mudança de rumo aconteceu de forma natural. “Confesso que a transição foi um pouco confusa, mas sempre gostei da música em si (nunca imaginei ser cantora sertaneja), porém foi algo que naturalmente aconteceu na minha vida e eu agarrei a oportunidade”, relembra.

Antes de viver da música, Débora trabalhava como gerente de uma loja em um shopping de Blumenau. A rotina era intensa e dividia o tempo entre o trabalho e os cuidados com o filho, sendo este um dos fatores que a fez repensar a carreira.

“Nesse início de carreira eu percebi a oportunidade de trabalhar menos e ganhar mais. Foi exatamente isso que pensei. Porque com o pouco que eu fazia na música eu já quase igualava meu salário de gerente”, compartilha.

Há cerca de seis anos, ela decidiu apostar totalmente na música. “Comecei a me dedicar inteiramente para isso, para a minha carreira. Hoje vivo dessa decisão de coragem que tive. O sertanejo me trouxe a oportunidade de poder crescer e ter uma vida mais independente como mulher e como mãe”, continua.

Mesmo em um cenário competitivo, a cantora afirma que sempre buscou construir o próprio espaço. “Sempre foi desafiador, confesso, porém sempre tive uma postura de que sempre alcançaria meu lugar.”

Para ela, o crescimento na própria cidade também foi uma escolha estratégica e, entre as iniciativas recentes está o projeto Patroas, um show que reúne três artistas mulheres da região. “A intenção desse projeto é reunir e dar oportunidade a outras artistas da região”, explica.

Em 2025, no entanto, a cantora viveu um episódio marcante fora dos palcos: ela foi vítima de um ataque em frente à própria casa, em Blumenau. “Fui seguida por alguns dias e depois atacada na frente da minha casa, onde meu filho viu toda a situação”, relata.

Além da violência, ela também precisou lidar com especulações e comentários nas redes sociais. “Essa situação gerou muita curiosidade e também muitas calúnias falsas ao meu respeito e deduções. Mas tenho minha consciência tranquila.”

Depois do episódio, a cantora buscou apoio e passou por acompanhamento psicológico. A experiência também reforçou a importância da rede de apoio entre mulheres. “Fiz e recomendo defesa pessoal para todas as mulheres. Isso tudo me fortaleceu”, destaca.

Para ela, o Dia da Mulher é um dia muito especial e resume o significado da própria trajetória: “Acredito que esse dia seja símbolo de força, de superação, de renúncia, de amadurecimento, de escolhas, de renascimento, de amor, de leveza e de sentimento”.

Irmãs, metal e persistência: as mulheres por trás da banda Pressure Gain

Se no sertanejo a presença feminina vem crescendo nos últimos anos, no rock e no metal o cenário ainda é considerado majoritariamente masculino. Em Blumenau, porém, as irmãs Gisele Assmann e Simone Assmann vêm construindo seu espaço à frente da banda Pressure Gain.

Filhas dos agricultores Darci e Imelda Assmann, elas nasceram no oeste catarinense, Gi em Pinhalzinho e Moni em Saudades, e se mudaram ainda pequenas para Blumenau, juntamente com a irmã mais nova, Luisa. A música entrou na vida das duas ainda na infância.

“Começamos na música ainda muito jovens. Eu tinha por volta de 11 anos e ela 9, quando começamos a fazer aula de violão em uma igreja no bairro da Velha, em Blumenau. Na verdade, quem insistiu para que a gente fizesse aula foram os nossos pais. O curioso é que nós nem tínhamos violão em casa no começo. Nós aprendemos nas aulas com o violão do professor e, depois, ele acabou emprestando um violão bem velhinho para a gente poder praticar”, conta Gisele.

Segundo ela, o canto veio na sequência, uma vez que, durante as aulas de violão, elas acabavam cantando as letras enquanto aprendiam os acordes das músicas. “Tivemos até um pequeno projeto musical com ele, onde chegamos a tocar em igrejas. Mas éramos muito tímidas. Eu lembro que muitas vezes ficava escondida atrás dele na hora de tocar, de tanta vergonha que eu tinha de aparecer em público “, relembra.

Toda a família já tinha alguma ligação muito forte com o universo musical. “A família do nosso pai sempre teve ligação com música, meus tios e ele tocavam gaita e violão quando eram mais jovens. E, a nossa mãe, tinha um sonho de tocar órgão na igreja, de ser organista. Mas na época em que ela era jovem, mulher na música ainda era algo muito mal visto em muitos lugares, então ela nunca pôde realizar esse sonho”, completa.

De certa forma, esse desejo acabou sendo herdado pelas irmãs.

Anos mais tarde, a decisão de formar uma banda surgiu de forma espontânea. O projeto começou em 2008, depois de uma reunião com o músico Kistt, que hoje é o baixista da banda e marido de Gi.

O rock e o metal, porém, não eram as primeiras referências musicais das irmãs, mas Kistt acabou trazendo esses estilos para a rotina das duas. Com o tempo, o grupo passou por mudanças de formação até chegar ao atual line-up: Gi e Moni nos vocais, Kistt no baixo, Daniel Russo na guitarra e Ramus Lima na bateria.

A identidade da banda começou a se consolidar a partir de 2016. “Foi ali que nasceu o nome Pressure Gain”, explica. Em 2019, lançaram a primeira música autoral e iniciaram uma fase mais focada na composição própria.

Hoje, a Pressure Gain acumula mais de 100 mil visualizações no YouTube, diversos álbuns lançados, participações em festivais como Otacílio Rock Fest, Motoblu e Rock in Blu, além de ter sido finalista do Lollapalooza 2024 em uma seleção para novos talentos.

Mesmo com a projeção crescente, as irmãs ainda conciliam a música com outro trabalho. “A música ainda não é nossa renda principal, mas sabemos que isso faz parte de uma construção. Seguimos dedicadas, persistentes e acreditando no caminho que estamos trilhando”, reforça.

Dentro do metal, elas reconhecem que ainda existe surpresa quando mulheres ocupam posições de liderança. “Às vezes existe aquela surpresa quando as pessoas percebem que tem mulheres liderando uma banda de metal, ou aquela expectativa de que talvez não seja tão pesado ou tão técnico.”

A resposta, diz, sempre veio no palco. “Quando o público sente a verdade do que está acontecendo ali, esses rótulos perdem força. Hoje preferimos focar em ocupar o espaço com autenticidade e mostrar que a música não tem gênero ela tem verdade. E temos tido reconhecimento pelo trabalho que estamos fazendo”.

Para meninas que querem seguir no rock ou no metal, o conselho vem direto do refrão da música Woman, da Pressure Gain: “Eu me permito viver todas as minhas versões; Eu me permito amar tudo em mim”.

Gisele acredita que não é preciso esperar a permissão de ninguém e sim se permitir em primeiro lugar. “Comece do jeito que puder, com o que tiver nas mãos, mas comece. A música precisa de novas vozes, novas histórias e novas perspectivas. E muitas vezes aquilo que parece ser a sua diferença é justamente o que vai tornar sua arte única”.

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