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Caso Orelha não é isolado: Blumenau registrou mais de mil denúncias em 2025

Morte de cão comunitário em Florianópolis expõe uma violência recorrente no estado

morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, de pelo menos 10 anos de idade, mobilizou moradores da Praia Brava, no Norte de Florianópolis, organizações de proteção animal e autoridades de Santa Catarina. O caso ganhou repercussão nacional depois da confirmação de que o animal foi vítima de maus-tratos, não resistindo à gravidade dos ferimentos mesmo depois de atendimento veterinário.

Orelha vivia em um local que contava com pelo menos três casinhas instaladas para abrigar cães que circulam pela região e que, ao longo do tempo, passaram a ser tratados como mascotes pelos moradores e comerciantes locais.

O caso se espalhou rapidamente pelas redes sociais, impulsionada pela hashtag #JustiçaPorOrelha, que reuniu manifestações de moradores, protetores independentes e entidades de defesa animal em diferentes cidades do estado e do Brasil.

Investigação e repercussão do caso

(Foto: Leo Munhoz / SECOM)

A Polícia Civil de Santa Catarina apresentou, em coletiva de imprensa, os avanços das investigações. De acordo com a apuração conduzida pela Delegacia de Proteção Animal (DPA) e pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE), quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de envolvimento nos maus-tratos.

Paralelamente, três adultos, familiares dos adolescentes, foram indiciados por coação no curso do processo, depois tentativa de intimidação de testemunhas. Ao longo da investigação, mais de 20 pessoas foram ouvidas e cerca de 72 horas de imagens de 14 câmeras de monitoramento foram analisadas, totalizando mais de mil horas de material.

Além da morte de Orelha, a Polícia Civil apura um segundo episódio envolvendo um cão caramelo, que teria sido levado ao mar pelo mesmo grupo de adolescentes, em uma tentativa de afogamento. O animal conseguiu escapar.

Violência que se repete

Embora o caso de Orelha tenha acontecido na capital, os números mostram que a violência contra animais está longe de ser um episódio isolado em Santa Catarina. Em Blumenau, os dados são preocupantes.

Segundo a Diretoria de Bem-Estar Animal do município, somente em 2025 foram registradas 1.399 denúncias de maus-tratos. Desse total, resultaram 41 notificações, 18 multas aplicadas e 92 animais apreendidos, entre cães, gatos, galináceos, patos e até um bovino.

Já os dados da Polícia Civil indicam um crescimento expressivo das comunicações ao longo dos últimos anos. Entre 2019 e 2026, os registros de maus-tratos contra animais em Blumenau registraram crescimentos:

Quando considerados apenas os crimes de maus-tratos contra cães e gatos, o pico aconteceu em 2024, com 120 registros, fazendo daquele ano o mais crítico, com 316 casos comunicados à Polícia Civil, somando todas as tipificações.

Casos que chocaram a cidade no último ano

Em um dos casos mais marcantes de 2025, uma cadela em estado de extrema desnutrição, infestada por pulgas e com lesões de pele, foi resgatada junto aos seus seis filhotes, no bairro Velha Central. O animal, que ainda amamentava, apresentava mastite, uma condição dolorosa e potencialmente fatal. O tutor foi preso em flagrante.

Outro episódio ganhou repercussão depois que câmeras de segurança flagraram um cachorro sendo arrastado por cerca de um quilômetro, preso a um caminhão-guincho. O animal foi encontrado com feridas abertas, unhas arrancadas e partes musculares expostas. O tutor admitiu não ter buscado atendimento veterinário e foi preso.

Também chamou atenção a prisão de um homem que mantinha uma clínica veterinária clandestina no bairro Glória. No local, a polícia encontrou um gato morto sobre uma mesa de cirurgia improvisada e uma cadela em pós-operatório, sem qualquer condição adequada de recuperação.

Nova legislação

Em meio à comoção provocada pelo caso do Cão Orelha, Santa Catarina sancionou a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário. A legislação estabelece regras claras para a proteção desses animais, proibindo remoções arbitrárias, maus-tratos, abandono forçado e qualquer ação que coloque sua integridade em risco.

A lei reconhece oficialmente o animal comunitário como aquele que, mesmo sem tutor individual, mantém vínculos de cuidado, proteção e dependência com a comunidade local. Também autoriza a instalação de casinhas, comedouros e bebedouros em áreas públicas, fortalecendo o cuidado compartilhado entre poder público e sociedade.

O que caracteriza maus-tratos

De acordo com a legislação, maus-tratos incluem qualquer ação ou omissão que cause dor, sofrimento, medo ou estresse ao animal, comprometendo a integridade física ou mental. Entre os exemplos estão abandono, agressões físicas, privação de água e alimento, manutenção em locais insalubres, confinamento inadequado, acorrentamento permanente e ausência de assistência veterinária.

Como denunciar

Em Blumenau, denúncias de maus-tratos podem ser feitas pela Ouvidoria Municipal (156, opção 1), que encaminha os casos à fiscalização ambiental. Situações de flagrante devem ser comunicadas à Polícia Militar, enquanto crimes já ocorridos podem ser registrados na Delegacia de Polícia ou na Promotoria de Justiça do Meio Ambiente.

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