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Bombeiros de SC registram mais de mil lesões causadas por águas-vivas em uma semana

Conheça os tipos de águas-vivas que circulam pelo litoral catarinense e o que fazer em casos de acidente

Com o aumento de movimentação de pessoas nas praias, cresce também o número de acidentes envolvendo águas-vivas. Entre 6 e 12 de janeiro deste ano, o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina registrou 1.047 lesões causadas por águas-vivas no litoral catarinense.

As águas-vivas possuem células urticantes chamadas cnidócitos, que contêm estruturas responsáveis por injetar toxinas quando entram em contato com a pele. Essas toxinas provocam dor, vermelhidão, inchaço e, em alguns casos, reações mais graves, como náusea e dificuldade respiratória.

A lesão é popularmente chamada de “queimadura”, mas, na verdade, não se trata de uma queimadura térmica, como aquelas causadas por fogo ou superfícies quentes. O que ocorre é um envenenamento químico da pele.

O que fazer em caso de lesão por água-viva:

– Ao sentir ardência ou visualizar a água-viva na água, saia imediatamente do mar.

– Procure o posto de guarda-vidas mais próximo.

– Não use água doce, urina ou outros líquidos no ferimento. A urina é contraindicada porque sua acidez pode aumentar a sensação de queimadura e causar infecções devido à presença de bactérias.

– Lave apenas com água salgada.

– Solicite vinagre no posto de guarda-vidas. Ele é cientificamente comprovado para aliviar os sintomas.

– Dependendo da gravidade, o guarda-vidas poderá acionar uma ambulância para atendimento médico.

Antes de ir à praia, consulte o aplicativo CBMSC Cidadão. Ele informa as praias com bandeira lilás, que indica a presença de águas-vivas. Observe a sinalização e evite áreas com águas-vivas mortas na areia. Fique próximo a postos de guarda-vidas para maior segurança.

Tipos de águas-vivas que circulam por Santa Catarina

Água-Viva Reloginho (Olindias sambaquiensis)


Essa espécie é a mais frequente no Estado. É quase invisível aos banhistas, o que aumenta o risco de contato. Os casos ocorrem ao longo de todo o ano, com picos no final do inverno e na primavera/verão. A maior incidência costuma ocorrer em fevereiro e nos finais de semana, pois conforme o número de banhistas nas praias aumenta, mais ocorrências são registradas. Após o Carnaval, o índice de ocorrências diminui consideravelmente.

Chamada popularmente de “Reloginho”, costuma permanecer na zona de rebentação e é trazida pelo vento sul. “Quando esse vento persiste por um ou dois dias, há maior probabilidade de ocorrências com águas-vivas”, explica o professor Charid. Essa espécie possui dois ciclos de vida por ano, com duração de 4 a 6 meses.

Caravela Portuguesa (Physalia physalis)

A Caravela Portuguesa é facilmente identificável por seu flutuador azul intenso e uma vela que a auxilia no deslocamento. Embora menos comum, seu veneno é mais potente, podendo causar náuseas, vômitos e reações graves que podem exigir atendimento médico. Ela é trazida pelo vento leste, oriunda do litoral nordestino do país. Em Santa Catarina, sua maior incidência ocorre em dezembro e janeiro, não sendo registrada ao longo de todo o ano.

Diferenças entre Reloginho e Caravela Portuguesa

A lesão causada pelo Reloginho provoca ardência moderada, enquanto a da Caravela é mais intensa e pode deixar marcas em linha na pele, ao contrário dos inchaços redondos provocados pelo Reloginho. Para os dois tipos de água-viva, a corrente marítima é o principal fator que influencia sua presença, independente de condições climáticas como calor ou chuva. 


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