Câmeras de segurança mostram juiz federal com garrafa. Caso está em sigilo
Câmeras de segurança mostram juiz federal com garrafa. Caso está em sigilo

Um magistrado que ficou conhecido por comandar processos relacionados à Operação Lava Jato em Curitiba virou personagem de um boletim de ocorrência em Blumenau (SC). Imagens de câmeras de segurança de um supermercado mostram um homem de camiseta azul e bermuda, identificado pela investigação como o juiz federal Eduardo Appio, pegando uma garrafa de champanhe Moët & Chandon, colocada à venda por aproximadamente R$ 399, e colocando-a em uma sacola. Ele circula pelo estabelecimento e, antes de chegar ao estacionamento, é abordado por seguranças, que o conduzem a uma sala reservada.
Segundo o boletim de ocorrência registrado em 7 de outubro, o mesmo supermercado relatou furtos ocorridos em 20 de setembro e 4 de outubro de 2025. Na primeira ocorrência, um homem descrito como cerca de 72 anos, 1,76 metro de altura e usando óculos pegou uma garrafa e saiu sem pagar. A descrição do gerente não batia com a figura do juiz, mas no dia 4 de outubro, o suspeito voltou ao corredor de bebidas, pegou outra garrafa da mesma marca e deixou o local com sacolas sem passar o produto pelo caixa. A descrição do veículo utilizado permitiu à Polícia Civil ligar o caso ao magistrado. Como magistrados de primeira instância só podem ser investigados por tribunais de segunda instância, a investigação foi encaminhada ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), responsável por conduzir o procedimento administrativo.
Afastamento preventivo
O TRF4 instaurou procedimento disciplinar e decidiu afastar o juiz de suas funções na vara previdenciária por cautela. De acordo com a corte, a medida é preventiva e permanecerá enquanto durarem as diligências internas. O tribunal não divulga detalhes porque o caso tramita sob sigilo previsto em lei. O magistrado já havia sido afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba em 2023 por outras controvérsias e atualmente atuava na 18ª Vara Previdenciária do Paraná.
A suspeita de furto também chegou à corregedoria do tribunal. Um blog jurídico relatou que o TRF4 abriu apuração formal após receber o boletim de ocorrência, que narrava a subtração de duas garrafas de champanhe avaliadas em cerca de R$ 540 cada. Dependendo do resultado do processo disciplinar, o juiz pode sofrer punições que vão de advertência à aposentadoria compulsória, já que a Lei Orgânica da Magistratura exige conduta irrepreensível dentro e fora dos tribunais.
Defesa do magistrado
Procurado pelos investigadores, Eduardo Appio negou ter tentado furtar o produto. Em depoimento, disse que sofre perseguição e que possui comprovantes de pagamento das bebidas. Em outra entrevista, afirmou que as imagens divulgadas foram manipuladas e politizadas e que a abordagem no supermercado ocorreu numa região “onde todo mundo vota na direita”, sugerindo motivação política. Para ele, a divulgação dos vídeos – que mostram a garrafa sendo colocada na sacola e a ausência do item na nota fiscal – não respeitou a cadeia de custódia e seria falsa. O magistrado declarou que entrará com ações judiciais por difamação e disse que é testemunha de investigações contra o senador Sérgio Moro, exjuiz da Lava Jato, a quem acusa de perseguição.
O senador Sérgio Moro, por sua vez, rebateu dizendo que o juiz vive “num mundo de fantasias”. Em outra manifestação, o parlamentar chamou o suposto furto de “aloprado” e sugeriu que o caso deslegitima críticas feitas por Appio à Lava Jato.
Presunção de inocência
Apesar das imagens e das suspeitas, o caso ainda está em fase de investigação. O procedimento tramita em sigilo e não há condenação ou decisão definitiva. A Constituição garante a presunção de inocência até o trânsito em julgado. Por isso, o juiz permanece como investigado e terá direito a ampla defesa, podendo apresentar provas de que pagou pelas garrafas ou esclarecer o ocorrido. O eventual julgamento sobre o fato caberá ao TRF4 e, se necessário, ao Conselho Nacional de Justiça.
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