contato@portalbnu.com.br

PortaBnu / Notícias / Cidade / Incêndio em veículo em Blumenau reacende debate sobre riscos e combate a fogo em carros eletrificados

Incêndio em veículo em Blumenau reacende debate sobre riscos e combate a fogo em carros eletrificados

Em entrevista, bombeiro-major orienta como agir nesses casos e alerta para riscos

O incêndio registrado na manhã de terça-feira, dia 24, em um veículo híbrido na BR-470, em Blumenau, acendeu o alerta para os riscos desse tipo de ocorrência e, principalmente, para a forma correta de agir diante da situação.

Em entrevista à Rádio 106, o bombeiro-major Maicon Éder Motelievicz destacou que incêndios podem acontecer tanto em carros a combustão quanto em modelos híbridos ou elétricos, e exigem cuidados específicos por parte da população.

No caso registrado em Blumenau, Motelievicz explicou que o fato de o veículo ser híbrido influenciou diretamente no combate ao incêndio. Como esse tipo de carro combina motor a combustão com sistema elétrico, a bateria tende a ser menor e, nessa ocorrência, ela não foi atingida pelas chamas.

Com isso, a atuação dos bombeiros ocorreu de forma semelhante a um incêndio em veículo convencional. O combate durou cerca de 20 minutos e mobilizou dois caminhões, com o uso aproximado de 4 mil litros de água até a completa extinção do fogo.

Ele também reforçou que o cenário poderia ter sido bem mais complexo caso a bateria tivesse sido atingida ou se tratasse de um veículo totalmente elétrico. Nesses casos, segundo o bombeiro, o volume de água necessário para o combate pode ultrapassar facilmente entre 30 mil e 40 mil litros, devido à intensidade e à dificuldade de controle das chamas.

Diferenças entre veículos

O major ressaltou que, mesmo em veículos a combustão, o incêndio pode se intensificar rapidamente devido à grande quantidade de materiais inflamáveis, fazendo com que o carro seja quase totalmente consumido se as chamas não forem controladas nos primeiros minutos. No entanto, a principal diferença nos veículos eletrificados está na bateria de alta capacidade. Quando atingida, ela pode intensificar o incêndio, elevando as temperaturas e aumentando consideravelmente a toxicidade da fumaça. Além disso, há dificuldade de acessar o invólucro da bateria para realizar o resfriamento.

“A bateria, quando atingida, leva o incêndio a um outro nível. A partir desse momento, a fumaça começa a ser bem mais tóxica (…) Além disso, as temperaturas passam facilmente de mil graus. Quando essa reação começa dentro da bateria, ela fica meio que “encapsulada”. Imagina só que o incêndio ocorre dentro dela e existe uma proteção grande por fora. Então, é difícil acessar esse incêndio dentro da bateria. Normalmente, utilizamos água, espuma, ou outro método, porém, ele fica por fora, e dificilmente conseguimos fazer o líquido penetrar na bateria para poder cessar essa reação em cadeia. Sem falar também que ele se auto alimenta — passa esse calor elevado e contamina a célula que está ao lado”, explica o major.

Orientações

Diante disso, a orientação mais importante é não se aproximar. A recomendação é manter uma distância mínima de 50 metros do veículo em chamas, preferencialmente contra o vento, para evitar a inalação de gases tóxicos. A orientação se dá tanto veículos à combustão, quanto para os elétricos ou eletrificados. 

“Quando se está a favor do vento, ele traz a fumaça ainda mais próxima. Então, se for a favor do vento, pode ser até o dobro disso (50 metros), ou mais, a depender da força deste vento”, salienta.

Outro alerta é para que pessoas sem treinamento não tentem apagar o fogo. Além do risco de queimaduras, a exposição à fumaça pode causar danos graves à saúde em poucos minutos. Quem presenciar esse tipo de ocorrência deve acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

“Apenas alguns minutos, ou menos, inalando a fumaça decorrente do incêndio que tenha atingido a bateria, que tenha liberado gases que são muito mais tóxicos — os outros gases também são, qualquer incêndio é, inalar sempre vai causar um prejuízo para a saúde —, mas quando falamos em incêndio em veículo elétrico, na bateria especificamente, os gases são muito mais tóxicos. Então, em questão de minutos, pode levar a uma condição fatal para a pessoa”, reforça Motelievicz.

O major também chama atenção a possibilidade de o veículo se mover. Com o avanço do incêndio, sistemas como o freio podem ser comprometidos, fazendo com que o carro se desloque, especialmente em locais com inclinação.

“Quando o incêndio atinge o veículo, ele começa a desacionar os sistemas de freio. Então, é muito comum os carros começarem a andar depois de um determinado tempo. Se ele já está numa ladeira, ou numa área que tem um declive, há uma grande chance desse veículo começar a andar para o lado da descida, digamos assim”, explica. 

Causas de incêndios

Sobre as causas, Motelievicz explica que, apesar de ser possível identificá-las, atualmente o Corpo de Bombeiros não realiza investigações em incêndios veiculares, concentrando esse trabalho em ocorrências envolvendo edificações, pois atingem um número maior de pessoas. 

“Esse objetivo de identificar as causas do incêndio e como eles ocorreram é para tentar, então, traçar estratégias de criar instruções normativas, atualizar as nossas rotinas de combate e também de orientar a população sobre o que acontece, o que pode ser evitado para que aquele incêndio não ocorra. Em veículos, também é um dos objetivos da corporação realizar essa investigação. Mas, por enquanto, a gente ainda não faz. Esperamos fazer em um futuro breve”, finaliza o major.

Confira a entrevista completa

Compartilhe

Relacionadas

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias

Colunas

X

© 2025 Criado com Edem Comunicação

O PortalBnu é o portal de Notícias da sua região. Fique atualizado com as principais notícias de Santa Catarina, Brasil e do Mundo.

Contatos

(47) 93382-7016
Blumenau / SC / Brasil
redacao@portalbnu.com.br
Anuncie Whatsapp: (47) 99149-4520