Um relatório da fiscalização ambiental de Blumenau, produzido nesta terça-feira, dia 17, aponta indícios de negligência e possível abandono de uma cadela idosa, de aproximadamente 14 anos, que foi localizada em estado clínico crítico em um abrigo da cidade. O caso envolve Tatiana Regina Lenzi Alvise, apontada no documento como tutora do animal, ex-diretora do Cepread (Centro de Prevenção e Recuperação de Animais Domésticos), em Blumenau.
De acordo com o documento, a fiscalização ambiental recebeu uma denúncia informando que a cadela teria sido encaminhada para um abrigo localizado na Rua Pedro Zimmermann, em Blumenau. Durante a vistoria, a fiscalização confirmou a presença do animal no abrigo. A cadela teria sido levada ao espaço pelos filhos da tutora.
Segundo o relatório, durante o exame físico, foram observados sinais evidentes de emagrecimento extremo e desidratação. A cadela não estaria se alimentando adequadamente e os responsáveis teriam sido avisados sobre a necessidade de fornecer alimentação apropriada, como sachê, o que não havia ocorrido até o momento da vistoria.
O próprio relatório, no entanto, afirma que não é possível atribuir exclusivamente à alimentação inadequada o quadro de magreza extrema e desidratação, pois não estão descartadas doenças pré-existentes ou desenvolvidas após a chegada ao abrigo.
Mudança de casa seria o motivo
Segundo o relato registrado pela fiscalização, Manuela Lenzi, filha de Tatiana, informou que a ida da cadela ao abrigo teria ocorrido após problemas familiares e a mudança da família para um apartamento. Conforme descrito no documento, o animal vivia há cerca de 14 anos em uma casa com amplo espaço, e a mudança seria o motivo para sua ida ao abrigo.
Na avaliação preliminar da fiscalização, a justificativa apresentada, somada à ausência de planejamento e ao encaminhamento de um animal idoso para um abrigo, sem adaptação ou suporte adequado, pode ser interpretada, em tese, como conduta incompatível com a guarda responsável, com possível enquadramento em abandono e exposição a sofrimento físico e psicológico.
Diante da condição clínica do animal, o relatório informa que a fiscalização entrou em contato por telefone com Manuela Lenzi e determinou a retirada imediata da cadela do abrigo, além da orientação para atendimento veterinário urgente, com exames e eventual medicação, conforme avaliação profissional.
O que diz a família
Nossa equipe entrou em contato com Tatiana, que se pronunciou sobre o caso. Ela afirmou que não sabia que seus filhos teriam levado a cadela ao abrigo, e que o animal teria ficado sob cuidados do filho, que no momento estaria viajando. “Meus filhos não me consultaram sobre o abrigo provisório. Fiquei sabendo de tudo isso hoje, quando minha filha me ligou. Isso é algo pessoal de alguém, jamais meu nome foi envolvido em nada. Trabalho há muitos anos na vida pública. Quem plantou isso agiu de má fé! Nunca fiz mal a ninguém”, declarou.
Até o momento, o caso é tratado no âmbito administrativo da fiscalização e pode ter desdobramentos.